Bruce Dickinson no tempo em que era apenas Bruce Bruce, o vocalista da banda Samson

Bruce Dickinson, “voz de sirene”, antes de entrar no Iron Maiden já fazia história na banda Samson. Não foi a banda com a qual Dickinson iniciou carreira, mas foi a primeira a chamar a atenção do meio musical e que serviu de ponte para ele entrar para o time de Steve Harris.

O Samson era liderado pelo guitarrista Paul Samson, que, dizem, era de personalidade difícil. O grupo seguia um estilo hard rock clássico – basta ouvir o primeiro álbum (sem Bruce) Survivors (1979) – que se viu (ou aproveitou) a onda do NWHM (New Wave of Heavy Metal) que assolava a Inglaterra nos fins dos anos 1970. Embora ninguém pode negar que Bruce ao entrar na banda deu um gás ao som dos caras que não existia anteriormente.

Ao convidar Bruce para a banda em 1979, o Samson ganhou respeito e um grande vocalista, lançando dois álbuns significativos: Head On (1980) e Shock Tactics (1981). Dickinson destacava-se com sua potente voz e também tinha um baterista mascarado (nunca mostrava o rosto), chegava a montar sua bateria dentro de uma jaula! Trata-se de Thunderstick (Barry Purkis) que antes de entrar no Samson havia tocado no Iron Maiden entre 1976 e 177, época em que a Donzela de Ferro tinha até tecladista na banda. É de Thunderstick e de Steve Harris a instrumental “The Ides of The March” (saiu no segundo álbum do Maiden, Killers), mas com Samson chamava-se “Thunderboust”, que se encontra no LP Head On.

Bruce Bruce não era bobo, sabia que o Iron Maiden pertencia a poderosa EMI e tinha músicos superiores ao Samson, além de ter que lidar com o gênio difícil de Paul Samson, não era tarefa fácil. Além do mais o Iron Maiden já estava tocando com o Kiss e Judas Priest e se apresentava no Hammersmith Odeon. Pois é, uma oportunidade única a qual ele aceitou e passou a ser Bruce Dickinson. Quem não gostou nada foi Paul Samson que ficou ressentido e nunca mais conseguiu sair da sombra de Dickinson. Sua banda seria sempre lembrada como a ex-banda de Bruce Dickinson.

Embora fizesse frente junto a bandas que despontavam no NWBHM como Saxon, Def Leppard e Tygers of Pan Tang, a banda não engatava. Bruce chegou a dizer que faltava profissionalismo ao grupo, sendo que nem se preocupavam em se tornarem profissionais. A coisa piorou mesmo quando o Samson teve o azar de ter o Iron Maiden como banda de abertura em Londres. Steve Harris e companhia arrasaram sua entrega, sua música e sua honestidade. Quando o Samson entrou no palco nem foram aplaudidos. No entanto, Harris percebeu no jovem vocalista de bigode (sim, ele chegou a usar por curso período) um grande talento cantando na banda errada.

Foi apenas no ano de 1981 (veja o vídeo), no festival de Reading (o álbum Live at Reading´81 foi lançado em CD em 1991), que houve o convite a Bruce Dickinson para uma audição com o Iron Maiden, já que o grupo estava para chutar Paul Di’Anno. Embora Bruce aceitasse a proposta, a decisão de largar o Samson não foi fácil. A banda pertencia ao pequeno selo Gem e estava prestes a assinar com uma multinacional; rolava até mesmo um boato de um possível convite para ele integrar a banda de Ritchie Backmore, o Rainbow.

O contrato com o Iron Maiden, é verdade, envolvia muito dinheiro e já tinha tudo planejado para os próximos dois anos seguintes, enquanto Samsom não sabia o que poderia acontecer nas próximas duas horas. Claro que a segurança financeira deve ter pesado um pouco na escolha, mas Bruce sempre disse em entrevistas que ficou muito impressionado com a música do Iron Maiden e viu que sua voz encaixava totalmente ao som que eles faziam. “Eles eram como um trem vindo em sua direção, não havia ninguém como eles. Eu queria ser o vocalista deles”.

A Donzela de Ferro, a partir de então, ganhou um dos melhores vocalistas de Heavy Metal e lançou The Number Of The Beast (1982), um clássico absoluto do gênero. E o Samson? Assinou contrato com a Polydor e recrutou o cantor Nicky Moore. Conseguiria um relativo sucesso, voltando a um som mais hard rock e até um pouco AOR. Paul Samson morreria de câncer em 2002, levando a banda a pendurar as chuteiras.

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