O que foi a ditadura militar? Começo, meio e fim do Golpe Militar de 1964

O que foi a ditadura militar? Começo, meio e fim do Golpe Militar de 1964
 

Para começo de tudo, em 1961 presidente Jânio Quadros fez uma renúncia e comisso uma série de fatos foram acontecendo, e tudo acabou em um golpe de estado no dia 31 de março de 1964. O ambiente político foi radicalizado, porque o tal Jango prometeu fazer reformas de base que pretendiam reduzir as desigualdades sociais brasileiras. Entre estas, estavam as reformas bancária (para ampliar crédito aos produtores), eleitoral (ampliar o voto aos analfabetos e militares de baixas patentes), educacional (valorizar os professores, oferecer ensino para os analfabetos e acabar com as cátedras vitalícias nas universidades) e agrária (democratizar o uso das terras), com ajuda de sindicatos e de membros das Forças Armadas, mas vamos aos detalhes.

No dia 13 de março de 1964, Jango e Maria Thereza, que era sua mulher e de Darcy Ribeiro, que era chefe da Casa Civil, estavam no palanque da Central do Brasil, no Rio. Era um evento organizado por entidades sindicais, e o presidente fazendeiro, havia defendido a necessidade das chamadas reformas de base (agrária, bancária, administrativa, universitária e eleitoral). O convite ao “povo” em apoio ao comício de reformas, e esse evento havia sido transmitido ao vivo por rádio e TV para todo o país, foi pedido aos trabalhadores para comparecer à frente da Central do Brasil e o evento chegou a reunir cerca de 200 mil pessoas. E como resposta ao comício da Central do Brasil e à “ameaça comunista”, em 19 de março de 1964, cerca de 300 mil pessoas fizeram uma passeata no centro de São Paulo com o intuito de mostrar descontentamento.

“O povo veio à praça pública para demonstrar sua confiança na democracia. Veio para afirmar perante a nação que os democratas não permitirão que os comunistas sejam os donos da pátria. Democratas do Brasil, confiem, não desconfiem das gloriosas Forças Armadas de nossa pátria” – Auro de Moura Andrade, durante a marcha (‘Folha de S. Paulo’, 20/3/1964)

Já em 24 de março de 1964 houve a revolta dos marinheiros. Dois mil marinheiros e fuzileiros navais compareceram a festa no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio, e tiveram como líder o Anselmo. O ministro da Marinha, Silvio Mota, mandou prender os organizadores, mas os fuzileiros enviados aderiram a eles. E isso tudo mostrou que uma parte dos chefes militares estavam descontentes com Jango. E em 30 de março do mesmo ano num lugar repleto de militares pró-governo, Jango defendeu novamente as reformas de base para os sargentos no Automóvel Clube.

“A crise que se manifesta no país foi provocada pela minoria de privilegiados que vive de olhos voltados para o passado e teme enfrentar o luminoso futuro que se abrirá à democracia pela integração de milhões de patrícios nossos na vida econômica, social e política da Nação, libertando-os da penúria e da ignorância” – Discurso de Jango (‘Jornal do Brasil’, 31/3/64)

E finalmente no dia 31 de março de 1964 como resposta ao discurso de Jango, Olympio Mourão Filho, começa o golpe durante a madrugada encaminhando suas tropas, mandadas bem antes do esperado, de Juiz de Fora até o Palácio das Laranjeiras onde estava Jango. Os militares iniciam a tomada do poder e a deposição de Jango. No dia 2 de abril, o presidente João Goulart partiu de Brasília para Porto Alegre e Ranieri Mazilli, que quando Jango declara vaga a presidência da República, assume a presidência interinamente.

“O senhor presidente da República deixou a sede do governo, deixou a nação acéfala numa hora gravíssima da vida brasileira em que é mister que o chefe de Estado permaneça à frente do seu governo […] Esta acefalia configura a necessidade do Congresso Nacional, como poder civil, imediatamente tomar a atitude que lhe cabe” – Auro de Moura Andrade

João Goulart, ao lado da família e do chefe do gabinete militar Assis Brasil, se esconde em São Borja. E no dia 4 de abril de 1964 eles partem para o Uruguai. Anos depois, Jango se mudou para a Argentina, onde morreu em 1976, de ataque cardíaco. Em novembro de 2013, seu corpo foi exumado pela Comissão da Verdade para se determinar se sua morte foi ocasionada por envenenamento. Seus restos mortais, dessa vez, foram enterrados com honras de chefe de Estado.

“O mais difícil foi para o Jango, que não podia voltar. Eu voltei para o casamento do meu irmão, da Ieda Maria Vargas, voltei para ver meu pai, que estava doente. Mas é claro que passei por vários constrangimentos. Fui presa. Até no casamento do meu irmão fiquei num canto sozinha” – Maria Thereza Cruz, viúva de Jango, ao ‘Zero Hora’ em 2013

E em 15 de abril de 1964 Costa e Silva anuncia o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco como o novo presidente, com mandato até dezembro de 1966. Os militares só deixariam o poder em 1985 e o Brasil só teria uma outra eleição direta em 1989. E assim, temos o fim do Golpe Militar de 64.

“Farei quanto em minhas mãos estiver para que se consolidem os ideais do movimento cívico da nação brasileira nestes dias memoráveis de abril, quando se levantou unida, esplêndida de coragem e decisão, para restaurar a democracia e libertá-la de quantas fraudes e distorções a tornavam irreconhecível. Não através de um golpe de Estado, mas por uma Revolução” – General Castelo Branco.


Foto: Nas ruas de Brasília, diante do Congresso Nacional, o povo se manifesta e exige o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República – Arquivo da Agência Brasil.

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