Cerca de uma em cada cinco mulheres sofrem da síndrome de Ovários Policísticos (SOP). Trata-se de um distúrbio que se inicia na puberdade e é progressiva, causando um desequilíbrio hormonal. O problema é que isso faz com que o organismo passe a produzir os hormônios em maior quantidade, aumentando a possibilidade do aparecimento de cistos no ovário e interferindo no processo de ovulação. Além das mudanças internas e externas no funcionamento do organismo, a SOP é responsável por 30% dos casos de infertilidade feminina. “Muitas pacientes descobrem que têm a doença somente quando tentam engravidar e não conseguem”, afirma Dra. Karla Giusti Zacharias, especialista em reprodução humana do Grupo Huntington, um dos principais centros de medicina reprodutiva do Brasil.
Diagnóstico
A SOP manifesta-se de diversas formas, como, por exemplo, irregularidade menstrual, anovulação (ausência de ovulação), infertilidade, acne, amenorréia (ausência de menstruação por mais de três ciclos ou seis meses) e hirsutismo (aparecimentos de pelos mais grossos em locais como o tórax, queixo, entre o nariz e o lábio superior, o abdome inferior e as coxas). O aumento dos ovários ocorre somente nos casos mais avançados. A causa da SOP ainda é desconhecida pela ciência, porém acredita-se que esteja direcionada pela incapacidade dos ovários de produzir hormônios nas proporções corretas.
Embora ainda não exista cura para a doença é possível amenizar os sintomas. O tratamento ideal pode variar de acordo com o quadro clínico de cada paciente. No caso de infertilidade, o especialista lhe indicará o tratamento de indução da ovulação. O mais indicado é feito com um medicamento via oral que induz a ovulação. Grande parte das mulheres responde bem ao tratamento e consegue engravidar.
“Uma alternativa para essas pacientes é a fertilização in vitro, especialmente quando há outras indicações para este procedimento. Outra opção é a cauterização ovariana laparoscópica ou drilling ovariano. Esta técnica é frequentemente criticada pelo risco de formação de aderências e pelo seu potencial de comprometer a reserva ovariana”, informa Dra. Karla.
Nova Técnica
Um estudo apresentado no ano passado pelo Grupo Huntington aponta que a aplicação de dois hormônios diferentes antes do procedimento padrão de Reprodução Assistida aumenta as chances de mulheres com ovários policísticos obterem uma gestação. O agonista do GnRH é utilizado tradicionalmente para bloquear a ovulação espontânea da mulher durante os tratamentos de fertilização. Já a Gonadotrofina coriônica humana (hCG) é utilizada nesse tipo de tratamento para induzir a maturação dos óvulos no interior do ovário. O estudo conduzido pela Huntington alterou os momentos de administração desses dois medicamentos para beneficiar pacientes em risco de síndrome do hiper-estímulo ovariano, quando é produzida uma quantidade excessiva de óvulos e estradiol que podem colocar a paciente em risco. “O método se mostrou eficaz, pois melhorou a qualidade dos óvulos em mulheres com esse diagnóstico, aumentando as taxas de gravidez por fertilização in vitro, afirma Karla.

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