
Olho
“Hoje há na Suécia 12 mil pessoas que têm diabetes há mais de 30 anos e 1.600 que controlam a doença há mais de 50 anos. Metade delas quase não apresenta complicações. Claramente, esses ‘veteranos’ são diferentes e nós vamos descobrir por quê”, diz Valeriya Lyssenko, coordenadora do estudo promovido pela Lund University.
Os participantes do “Prolong” respondem questões sobre estilo de vida, hábitos alimentares e histórico de doenças na família, bem como são submetidos a vários exames médicos e genéticos. “Se conseguirmos determinar o que vem protegendo esses ‘veteranos’ de complicações devastadoras, como a perda da visão, então poderemos desenvolver medicamentos capazes de cumprir o mesmo papel”, diz a doutora Valeryia.
Diabetes versus visão: uma batalha árdua
Na opinião do médico oftalmologista Renato Neves, diretor do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, é fundamental que a ciência se apresse em buscar meios para proteger os pacientes diabéticos dos desdobramentos cruéis que muitas vezes a doença provoca, incluindo a perda de visão. “Assim que a pessoa se torna diabética, os problemas de visão podem ter início a qualquer momento. Daí a importância de um acompanhamento oftalmológico frequente. Como o comprometimento da retina pode ser assintomático, sem alterações na qualidade da visão, o exame de fundo de olho é fundamental para detectar pontos e vasos sanguíneos propensos a romper e desencadear hemorragia”.
De acordo com o especialista, pacientes com microaneurismas ou rompimento de capilares são os candidatos mais indicados ao tratamento de fotocoagulação a laser. “Esse é um tratamento específico para ‘secar’ os vasinhos que podem comprometer a visão do diabético. Apresenta mais de 50% de sucesso, desacelerando o agravamento do quadro. As aplicações são indolores e geralmente realizadas em consultório, com utilização de colírio anestésico. O intervalo entre elas varia de paciente para paciente”.
Para quem sofre de retinopatia diabética proliferativa (RDP), os riscos de perder a visão são ainda maiores. Neves diz que, nesse caso, o tratamento a laser é um dos poucos recursos que podem controlar a neovascularização – bastante comum nessas situações. “A RDP geralmente ocorre em pessoas que apresentam retinopatia diabética em estágio avançado, podendo levar à isquemia da retina – condição em que a irrigação e oxigenação são insuficientes ou nulas. Em casos muito graves, somente a vitrectomia (cirurgia para a substituição do vítreo) representa uma esperança de o paciente voltar a enxergar.”
Fonte: Dr. Renato Neves, médico oftalmologista, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos (SP).

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