RETROSPECTIVA 2016: O que esperar par a 2017?

RETROSPECTIVA 2016: O que esperar par a 2017?
David Maxwell/Agência Lusa

Mais um ano se encerra, 2016 foi marcado por eleições e conflitos, mais uma página da história humana está prestes a ser virada.

Eleição de Donald Trump

O ano de 2016 foi repleto de acontecimentos nos Estados Unidos, mas o maior de todos sem dúvidas foi a surpreendente eleição para presidente do bilionário Donald Trump, do Partido Republicano, derrotando a candidata democrata Hillary Clinton nas eleições de 8 de novembro.

A eleição de Trump surpreendeu o mundo e os próprios americanos, já que as pesquisas internas apontavam para uma possível vitória de Clinton. Polêmico, acusado de xenófobo, sexista e racista e sem o apoio de vários líderes de seu próprio partido, Trump teve uma campanha recheada de declarações de efeito, muitas contrárias às políticas implementadas pelo presidente Barack Obama. De certo modo, o magnata expressou os anseios de parte da população americana, incomodada com a imigração crescente, a perda de empregos e a fuga de empresas com a globalização. Tanto assim que a vitória de Trump se deveu em grande parte aos votos de estados do outrora próspero cinturão industrial dos EUA, onde houve grande desemprego nos últimos anos, como Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin.

Cuba: relação com EUA e morte de Fidel Castro

Antes de deixar a presidência, Barack Obama tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a visitar, em maio, Hiroshima, no Japão, cidade devastada por uma bomba nuclear jogada por aviões americanos na 2ª Guerra Mundial. Ele também reatou as relações diplomáticas com Cuba e foi o primeiro presidente americano – em quase um século – a visitar Havana, em março. A abertura econômica com a ilha também possibilitou que, pela primeira vez em mais de 50 anos, um navio de cruzeiro dos EUA navegasse para Cuba em maio. E em 27 de setembro, Obama nomeou o primeiro embaixador americano para a ilha.

Em Cuba, dois grandes acontecimentos marcaram o país em 2016: o reatamento das relações diplomáticas com os Estados Unidos (EUA) e a morte de Fidel Castro.

O ex-presidente e líder da revolução cubana morreu em Havana no dia 25 de novembro, aos 90 anos de idade. O funeral do ex-líder durou dias e teve grande repercussão internacional.

Tensões raciais

Os americanos viram também o acirramento das tensões raciais, que cresceram no país por conta do número cada vez maior de mortes de negros pela polícia, a impunidade dos policiais e a falta de políticas eficazes para acabar com o problema. Tudo isso provocou reações exacerbadas e deu força ao Movimento Black Lives Matter (Vidas de Negros Importam), movimento social focado na luta contra a violência sobre os afroamericanos.

O clima se tornou mais inflamado em julho, com ataques que mataram cinco policiais no Texas e três na Louisiana. O descontentamento da comunidade negra nos EUA não é infundado. Segundo pesquisas, negros têm até três vezes mais chances de serem mortos por policiais do que brancos.

No que se refere a desastres naturais, um destaque foi o Furacão Matthew, que atingiu os estados da Flórida, Geórgia e Carolina do Sul e do Norte em outubro, provocando inundação recorde. Outros problemas que vêm assustando os americanos e voltaram a se repetir em 2016, em várias ocasiões, foram os massacres e tiroteios provocados por atiradores em escolas e locais públicos, que mais uma vez fizeram várias vítimas, reacendendo o debate sobre o controle de armas no país.

Argentina: um ano de Macri e Cristina Kirchner processada

Na Argentina, 2016 começou sob o signo do governo do presidente Mauricio Macri, eleito com 51,42% dos votos, encerrando a era de oito anos de Cristina Kirchner. A ex-presidente viveu em 2016 seu inferno astral, com embargo dos seus bens pela Justiça e respondendo a processo pela venda de dólares no mercado futuro, que teria causado um prejuízo de R$ 17 bilhões aos cofres públicos.

Macri iniciou seu mandato anunciando grandes mudanças na política econômica e em 2016 a Argentina finalmente saiu da moratória, decretada em 2001. O novo governo teve que mudar a legislação para renegociar a dívida externa com os chamados “fundos abutres” (que especulam com títulos da dívida) e, com isso, o país conseguiu reabrir seu acesso ao mercado financeiro global. Macri também acabou com os controles de câmbio, impostos por Cristina.

Apesar de ser a segunda economia do continente, a Argentina ainda enfrenta desafios como uma dívida pública elevada, inflação alta, desemprego, corrupção e más condições de infraestrutura e dos serviços de saúde e educação. Contudo, as ações de Macri demonstram disposição para fazer reformas que poderão ajudar as exportações e a reintegração do país aos mercados globais. Um dos destaques do ano foi a visita a Buenos Aires do presidente dos EUA, Barack Obama, em março, junto com 400 empresários.

Desde que Macri assumiu, as tensões sociais permanecem e os sindicatos relutam em ajudar um governo de centro-direita. Os protestos contra o feminicídio ocorridos em várias cidades foram outro fato merecedor de destaque na Argentina em 2016.

Brexit

Este ano, o Reino Unido decidiu pela saída do país da União Europeia. A população decidiu deixar o bloco em um referendo no dia 23 de junho deste ano, com 52% dos votos a favor da saída da União Europeia após 43 anos de participação. As nações que integram o Reino Unido são a Inglaterra, a Irlanda do Norte, a Escócia e o País de Gales. O Reino Unido é o primeiro país a decidir sair da União Europeia desde a sua criação. O processo de saíde deve demorar dois anos.

Logo após a divulgação do resultado do referendo, o então primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou a demissão. Cameron sempre se posicionou favorável a permanência do Reino Unido na UE afirmando que o Brexit poderia trazer graves consequências econômicas para o país.

Com a saída de David Cameron, Theresa May tomou posse como primeira-ministra do Reino Unido. Ela é a segunda mulher a ocupar o cargo, 26 anos após a saída de Margaret Thatcher do posto, e terá a tarefa de conduzir a saída do Reino Unido do bloco. May é conhecida por dizer algumas duras verdades sobre seus colegas e defender fortemente suas posições.

No mês passado, a Suprema Corte britânica decidiu que o governo sozinho não tem poder suficiente para invocar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que regula os passos que um país deve dar para deixar a UE. A Corte decidiu que o Parlamento precisa aprovar o pedido de saída da UE e solicitar a ativação do tratado. O processo foi iniciado após diversas ações serem impetradas na Justiça por grupos pró-UE.

Para aproximadamente 2,9 milhões de pessoas que fizeram suas vidas no Reino Unido nos últimos anos, a preocupação é se terão garantidos seus atuais direitos após o Brexit.

Migrações

Quase 7.200 migrantes e refugiados morreram ou desapareceram desde o início deste ano no mundo. O número, registrado até a primeira quinzena de dezembro, representa 20% a mais que em 2015. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), de um total de 7.189, 4.812 morreram ao tentar atravessar o Mar Mediterrâneo para chegar à Itália, Grécia, Chipre e Espanha. É uma média de 20 mortes por dia.

Sai Ban Ki-moon, entra Guterres

Diante de uma crise migratória sem precedentes que afeta milhões de pessoas, o português António Guterres assumirá o posto de secretário-geral das Nações Unidas (ONU).

Escolhido a partir de um processo sucessório inédito na ONU, Guterres traz na bagagem larga experiência de dez anos como alto-comissário da Agência da ONU para os Refugiados, a Acnur. Ele assumirá o cargo, substituindo o sul-coreano Ban Ki-moon, em 1º de janeiro de 2017. O novo secretário-geral, de 67 anos, foi primeiro-ministro de Portugal, entre 1995 e 2002.

Ban Ki-moon deixará o cargo, após seu segundo mandato de cinco anos. Embora não haja um número limite de mandatos, nenhum dos secretários anteriores permaneceu no cargo por mais de dois mandatos.

Bolívia: economia em alta, falta d’água e renovação política

Em 2016, os bolivianos rejeitaram a reforma constitucional promovida pelo presidente Evo Morales, de 56 anos, para se candidatar a um quarto mandato (2020-2025), abrindo campo para a renovação política. Este ano também a Bolívia viveu a sua pior seca desde a década de 1980. O governo declarou emergência nacional, por conta da falta de água em várias cidades, inclusive na capital, La Paz.

Na área econômica, as receitas de hidrocarbonetos tiveram um aumento exponencial e as vendas de gás possibilitaram ao país melhorar sua infraestrutura e serviços e fornecer gás doméstico gratuito a 3,5 milhões de bolivianos. A Bolívia e o Paraguai lideraram o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na América do Sul em 2016, com 4%.

Chile: baixa popularidade de Bachelet

No Chile, o governo da presidente Michelle Bachelet chega à metade do segundo mandato com índices baixos de popularidade – apenas cerca de 27% de aprovação. Além disso, as eleições municipais em outubro impuseram uma derrota aos partidos que fazem parte do seu governo.

Como um dos países que têm na exportação de commodities grande parte de suas receitas, o Chile sofreu com a queda na cotação do cobre (35% do consumo mundial vêm de minas chilenas), obrigando o Estado a rever e realocar investimentos básicos. Mas, apesar das dificuldades, o país apresentou crescimento de 1,6% do PIB e mesmo opositores admitem que o Chile avançou muito em questões básicas como educação e direitos humanos.

Por fim, em contraponto ao Mercosul, foi realizada em junho em Santiago a 11ª Cúpula da Aliança do Pacífico, a iniciativa de integração regional idealizada pelo Chile, a Colômbia, o México e Peru.

Venezuela: crise político-econômica e suspensão do Mercosul

Para a Venezuela, país imerso numa prolongada crise político-econômica, o ano de 2016 significou contração do PIB de 9,7% e a persistência de um cenário de agravamento que tende a prosseguir em 2017. O governo de Nicolás Maduro, que enfrenta forte resistência interna, suspendeu um referendo revogatório do seu mandato, levando a oposição às ruas. E, em 2016, pela primeira vez em 17 anos de chavismo, a oposição assumiu maioria no Congresso, o que levou a um enfrentamento entre os poderes, com um Executivo que não reconhece o Congresso e vice-versa.

Além disso, os quatro países fundadores do Mercosul suspenderam em dezembro a Venezuela do bloco, devido ao descumprimento por Caracas de suas obrigações de adesão ao grupo. Os reflexos da crise venezuelana já se fazem sentir nos países vizinhos, como Brasil e Colômbia, com levas de imigrantes atravessando as fronteiras em busca de melhores condições de vida.

Peru e Paraguai: eleições, crescimento econômico e estabilidade

No Peru, 2016 foi marcado por eleições presidenciais disputadíssimas, em junho, das quais saiu vencedor o economista Pedro Pablo Kuczynski, com um resultado apertado e sem maioria no Congresso, controlado pelos aliados de sua rival, Keiko Fujimori, que era favorita nas pesquisas, mas saiu derrotada nas urnas. Na área econômica, o país fecha o ano com crescimento do PIB de 3,9%. Mereceu destaque ainda a 24ª Reunião de Líderes da Área de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), realizada em novembro em Lima e que amplia as possibilidades de comércio globalizado entre os países do bloco, especialmente com a China, segunda economia mundial.

Surpreendentemente, o Paraguai liderou o crescimento do PIB na América do Sul este ano, com 4% de aumento. Parte do sucesso se deve à estabilidade política representada pelo segundo mandato do presidente Horacio Cortes, 58 anos, do Partido Colorado, um dos homens mais ricos do país, dono de mais de 25 empresas e de um banco. Na área regional, o Paraguai se posicionou contra a permanência da Venezuela no bloco, alegando “descumprimento por parte de Caracas das obrigações do Protocolo de Adesão ao Mercosul”. Na parceria paraguaio-brasileira, destaca-se a hidrelétrica Itaipu Binacional, responsável por cerca de 17% de toda a energia consumida no Brasil e de 75% do Paraguai.

*Com informações da EBC / Agência Brasil.

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Por Redação

Segundo o Horóscopo Chinês, 2017 será o ano do Galo, começando a 28 de janeiro. Este será um ano comum do Século XXI que começará num domingo, segundo o calendário gregoriano. A sua letra dominical será A. A terça-feira de Carnaval ocorrerá a 28 de fevereiro e o domingo de Páscoa a 16 de abril.

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