Rock da Mortalha, o Black Sabbath brasileiro

Rock da Mortalha, o Black Sabbath brasileiro

1975. Festival de Águas Claras. O famoso festival também ficou conhecido como o Woodstock Brasileiro, localizado numa fazenda Santa Virgínia, na cidade de Iacanga, São Paulo. Nessa primeira edição do festival contou com uma banda muito estranha, bem diferente das outras que apresentaram (Mutantes, O Peso, Apokalypsis, Moto Perpétuo), nada de papo bicho-grilo e tocadores de frautas. Era o Rock da Mortalha (graças ao Dinho dos Mutantes), que empolgou (e assustou outros) a plateia – foi o maior público deles. Pois, além de fazerem um som à la Black Sabbath, letras satânicas (nem sempre), era uma banda performática com direito a caveiras, roupas negras, batas douradas, botas e capas de morcego. Eles tinha um visual de banda de Black Metal em uma época em que os caras do Venom ainda estavam nas fraudas!

Surgido em 1973, em São Bernardo do Campo/SP- anteriormente chegaram a se chamar Missa Negra -, a formação original constava de Landinho (Orlando Lui), no baixo; Marcos Baccas, guitarra; e Julinho (depois substituído Marcos Lui), na bateria. A banda tinha um dançarino performático (e você achava que era apenas o Happy Mondays que tinha um sujeito louco dançando no palco, o Bez), o Lola (hoje, figura lendária em Campinas conhecido como Lótus Rock).

Tocaram e penaram muito – shows até em cima da lage. Mesmo com a fama relâmpago após o Festival de Águas Claras e a banda saindo na revista POP, eles nunca chegaram a ser contratados por uma gravadora e gravar um álbum. Em certo momento, quando a formação tinha duas guitarras, o som tinha até uma levada Iron Maiden, bem antes dos britânicos existirem.

Em 1977 mudam o nome para Xock, e a música recebe outras influências, mais brasileiras e progressivas. Dizem que a mudança veio após um dos filhos de Landinho caiu em um poço, e resolveram abandonar o som macabro. Mas tinha as coisas estranhas que aconteciam em shows, como nego desmaiando, “pegando” exu e equipamentos que muitas vezes queimavam do nada.

A banda nunca voltou à ativa, nem é mais possível, pois seus dois principais integrantes e membros fundadores Landinho (Orlando Luí) e Marcos Baccas já faleceram. Existem seis músicas gravadas por eles (e com o som horrível). Porém, salva-se duas canções com boa qualidade que é de um compacto com as músicas Dr Fausto e Salva-se Quem Puder. A história poderia ter sido diferente.

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Cláudio Campos

Cláudio Campos

Apaixonado por música. Escreve sobre o melhor e o pior da cena mundial.

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